Declaração Doutrinaria

A QUESTÃO DO LAVA – PÉS

Este estudo foi elaborado pelo pastor Eliélberth Falcão para Revista de Estudos Bíblicos “Sabedoria” (Revista editada pela CIOR – Convenção das Igrejas na Obra da Restauração e foi reeditado pelo Instituto Bíblico Sinai – IBS)
(Matéria Administração – Eclesiástica página 27).

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Introdução:

As Igrejas da Obra de Restauração, após a Ceia, realizam a cerimônia do Lava Pés como elemento pós-Ceia. A forma em pauta é bíblica, pois Jesus Lavou os pés dos discípulos após participarem da Ceia. João registra esse evento no seu Evangelho no Capítulo 13. Ao longo dos anos o capítulo 13 do Evangelho de João tem sido alvo de muitas discussões. Alguns teólogos consideram apenas o sentido simbólico do texto, enfatizando apenas que Jesus queria mostrar aos seus discípulos sua personalidade humilde, ou seja, todos os seus discípulos deveriam ser humildes e simples assim como Ele era. Contudo, algo de mais profundo e tremendo compreenderemos se considerarmos o texto dentro de seu contexto Bíblico Teológico, levando em consideração os pontos específicos que tornam o Lava Pés como um elemento pós-ceia: “E, acabada a ceia..” (Jo. 13. 2).

Obedecendo literalmente, a admoestação de Jesus

A informação que extraímos de nossa pesquisa Bíblica é que a Igreja primitiva seguiu literalmente o exemplo de Jesus. Esta comunhão de Jesus e os seus discípulos foi um ponto de partida para que toda Igreja um pouco mais tarde, viesse a praticar o lava pés como uma ordenança de Jesus. Um exemplo considerável podemos ver em 1 Tm. 5.10. O apóstolo Paulo, uns dos principais defensores dos ensinos de Jesus, declarou definitivamente que as viúvas da Igreja não deveriam ser sustentadas pela Igreja local sem que preenchessem alguns requisitos específicos e necessários. Nesta relação de Paulo, encontramos uma declaração que obstrui qualquer argumento que venha combater contra este ensino: “Se lavou os pés aos Santos”. O Lavar os pés aparece nesta relação como um dos parâmetros necessários para o cadastramento das viúvas da Igreja primitiva, frustrando assim a idéia de serem apenas “demonstrações” de amor e humildade.

Não era um “Costume”

Ouvimos muito dizer que o lavar os pés era um “costume” do povo Judeu. Na realidade, desde os tempos primórdios a Bíblia faz menções de alguns versículos onde o lavar os pés era um gesto em que a pessoa estava sendo bem aceita (Gn. 24:32 – 1 Sm. 25.41). Nestas passagens o lava pé não é apresentado como um elemento da ceia, mas verdadeiramente como um costume do povo Hebreu. Para compreendermos que o lava-pés empregado em João 13 é uma ordenança tornando o mesmo como um elemento inerente ao pão e o vinho, basta analisarmos com ética e coerência a declaração de Pedro no versículo 8: “…nunca me lavarás os pés…” ora, se era um costume, por que não lavar?!, Isto é, se era verdadeiramente um ato costumeiro Pedro jamais teria agido de forma tão perplexa, pois já estava acostumado lavar os pés de Jesus. Na verdade, Jesus estava a partir daquela ceia, estabelecendo uma ordenança praticável e não só para aquele momento. Vers. 14-15.

A Teoria dos “seguidores de Cristo”

Existe ainda um grupo denominado: “seguidores de Cristo”. Este grupo organizado em 1996 com sua sede principal no Rio de Janeiro, principalmente na cidade de São Gonçalo, é autor da teoria do sacrifício que entende que o lava-pés é um preparo para a “aflição em nome de Jesus”. Ao lavar os pés, os “seguidores de Cristo” estariam recebendo um “preparo espiritual para passar pelos momentos de aflição”. A base usada para alimentar este ensino, é extraído de Levítico 1.9 onde se lê: “A sua fressura, e as suas pernas lavar-se-ão com água…” outros textos que também são usados juntos a este são: Fp. 4.18; Hb.13.16. Logo essa teoria também não tem nenhum apoio bíblico porque a oferta de Lv. 1.9 tratava-se de oferta específica ao Senhor, e o holocausto era de “gado ou ovelhas” e não de crentes salvos em Cristo (Lv. 1.2-3). Outro sim, o termo que aparece na passagem de levítico é: “… suas pernas…” e não “os pés”. Isto é, a ordem bíblica é para lavar somente os pés. (Jo. 13. 10-11).

Conclusão:

Em João 13.7 Jesus fala para Pedro a respeito de obedecer sem que haja questionamento: “o que faço não o sabes tu agora, mas tu saberás depois”. Nunca devemos interpretar as verdades bíblicas valorizando o uso da razão: “tu lavas-me os pés a mim? (Jo. 13.6). O evangelho não se entende, contudo se crê “… loucuras para os que perecem…” (l Cor. 1.18). Se a cerimônia do lava-pés não fosse algo praticável, logo as declarações de Jesus em João 13.14, 15 não teriam mísero sentido: “… assim como eu fiz façais vós também…”

Principio de fé e pratica pelas quais nós, da APOIORT nos orientamos fundamentadas nas Escrituras (Bíblia Sagrada) as quais declaramos:

1. Acerca das Escrituras Sagradas: Cremos que as Escrituras Sagradas foram escritas por homens divinamente inspirados e que são um rico tesouro de instrução celestial (II Tim 3:16, 17; II Ped. 1:21; II Sam. 23:2), que tem Deus como seu verdadeiro autor e a salvação dos homens como fim (II Tim. 3:15; I Ped. 1:10-12; Jo 5:37-40).
2. Cremos na Trindade Divina: “Pai, Filho e Espírito Santo”: que harmoniosamente ocupam uma TRI-UNIDADE.
3. Cremos que há um, e somente um Deus vivo e verdadeiro, um Espírito infinito e inteligente, cujo nome é Jeová o criador e Governador supremo do céu e da terra (Jo. 4:24/ Sal. 147:5; 83:18).
4. Cremos em Jesus Cristo o único Filho de Deus, como Salvador pessoal de todos os homens (Jo. 3:16).
5. Cremos que a justificação (salvação) efetua-se somente através da fé em Jesus Cristo (Ef. 2:8).
6. Cremos que a santificação é um processo gradativo após a salvação, operada pelo Espírito Santo (II Ped. 3:18).
7. Cremos no batismo com o Espírito Santo como dom de Deus, posterior á salvação (Atos 19:2-6).
8. Cremos no Batismo bíblico (imersão), aplicado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mat. 28:19).
9. Cremos na Santa Ceia do Senhor como memorial segundo relato de Luc. 22:19, 20; I Cor. 11:24-26. Sendo os elementos: o pão asmo e o fruto da vide
10. Cremos nos dons espirituais segundo relato do Novo Testamento.(I Cor. 12:1-31)
11. Cremos nas seguintes ordenanças: A Santa Ceia (Luc. 22:19, 20; I Cor. 11:24-26) o Batismo (Mat. 28:19) e o lava-pés(João 13-1-17).
12. Cremos na saudação com Osculo Santo, segundo o que preceitua Rom. 16:16.
13. Cremos no uso do véu sobre a cabeça das mulheres, segundo declaração em I Cor. 11:2-16.
14. Cremos que como plano de Deus para sustento de sua obra entre os homens na terra, devem ser estabelecidos os Dízimos e Ofertas.
15. Cremos na segunda vinda iminente de Nosso Senhor Jesus Cristo, para arrebatamento de sua Igreja.
16. Cremos que o homem foi criado em santidade, debaixo da Lei do seu Criador (Gen. 1:27, 31; Ecl. 7:29), mas por transgressão voluntária caiu daquele estado santo e feliz (Rom. 5:12,14,15), em conseqüência de que todos os homens são pecadores (Rom. 5:19; Jo. 3:16).
17. Cremos que a salvação de pecadores é inteiramente de graça (Rom. 3:24; Atos 15:11), por meio da obra meritória do Filho de Deus (Jo. 3:16).
18. Cremos que os pecadores precisam ser regenerados, ou nascidos de novo, para poderem ser salvos (Jo. 3:3; I Co. 2:4).
19. Cremos que o arrependimento e a fé são deveres sagrados e graça inseparáveis, operados em nossa alma pelo Espírito de Deus (Mat.1:15; Ef. 2:8; I Jo. 5:1).
20. Cremos que uma igreja visível de Cristo é uma organização de crentes batizados (I Cor. 1:12, 13), associados uns aos outros, sob um pacto, na fé e na comunhão do Evangelho (Atos 2: 41,47), governados pelas leis (Mat. 28:20), e exercendo os dons, direitos e privilégios concedidos a eles pela vontade de Deus (Ef. 4:7; I Cor. 14:12).
21. Cremos que o governo civil é uma instituição divina, estabelecida por Deus, para promover os interesses e bem-estar da sociedade humana (Rom. 13:1,3), que é nosso dever orar pelos magistrados, os quais devem ser conscienciosamente honrados e obedecidos (Mat. 22:21), exceto nas coisas contrarias á vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo (Atos 5:29), que é o único Senhor da consciência e o príncipe dos reis da terra ( Mat. 23:10; Rom. 14:4).